Quanto mais regra, mais sem graça

zorratotalEsse é mais um texto falando contra quem está cagando criando milhões de regras para um dos atos mais nobres do ser humano: fazer rir. Aliás, vocês sabiam que o homem é o único animal capaz de rir e fazer rir? Aristóteles, por exemplo, associa o prazer do sorriso à felicidade humana. Portanto, acabar com o cômico é um crime contra a Humanidade e é contra isso que eu escrevo esse texto.

O MELHOR DO DESENHO É O IMPOSSÍVEL E O IMPROVÁVEL

As charges trabalham com diversas metodologias diferentes do humor: o exagero, a caricatura, a distorção da realidade e o abuso das possibilidades do absurdo. A graça está na remodelação da sociedade. Os desenhos realistas com situações reais não têm graça, pois eles são ilustrações, retratos, cópias.

Elementos como o exagero de alguns aspectos da realidade, a deformação e a distorção do real, a criação de situações inusitadas e falsas que poderiam ser verdadeiras e a ironia da pseudo-seriedade com que o texto (a piada) é escrito permite inferir que tais blogs (de humor) não só revelam conteúdo intensamente opinativo como também de críticas mordazes à política e à sociedade. (Carícia Temporal Soares Raposo de Oliveira)

MAS…EXISTE UMA LEI QUE ME OBRIGA A NÃO SER ALIENADO?

EXISTE UMA LEI QUE ME OBRIGA A SER POLITICAMENTE ENGAJADO?

Atente-se para essas três charges, pois vou discorrer sobre elas:

tirinha 3Recentemente, me enviaram um texto da Carta Capital. O título diz “O verdadeiro humor dá um soco no fígado de quem oprime“. A frase foi dita pelo chargista Henfil que era, sim, muito engajado em seus desenhos.

Eu ri muito das duas charges da direita e um sorriso menos intenso quando vi o desenho da esquerda. Por que o “falso humor” me fez rir mais que o “verdadeiro humor”?

Eu concordo que o cômico tem um papel fundamental de criticar a sociedade e isso legitima o poder crítico que ele tem. No entanto, não podemos dizer que o humor não existe sem a crítica. O riso vem do inesperado (engajado ou não) e isso que caracteriza o humor.

O riso é um afeto resultante da súbita transformação de uma tensa expectativa em nada (Kant)

Bom senso, é o que eu peço novamente. Dá pra rir de todas as situações e não ser melhor nem pior do que ninguém. Sou contra esse elitismo (bobo) que segrega os alienados da mais alta classe intelectual. Mandem tudo isso para casa descascar batatas simbólicas!

Para fazer rir, quanto mais improvável melhor. Quanto menos regras, mais previsível e com menos intensidade virá o riso. A maior crítica ao Zorra Total e à Praça É Nossa está justamente no fato de se repetirem os quadros (os bordões) e tudo ficar previsível e sem graça.

Eu prefiro que o mundo anárquico do imaginário do humorista prevaleça e que a única lei para se fazer uma piada seja o bom senso.

Parem de jogar nas costas do humor o papel de transformador da sociedade. Quem muda o mundo são as pessoas. As piadas são apenas representações pitorescas do mundo que as pessoas fazem.

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Quanto mais regra, mais sem graça

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