Quem não é “Je Suis Charlie” é Xiita

charlie_hebdoCalma, gente, esse título é somente uma provocação, algo para lembrarmos que devemos nos livrar do extremismo de quaisquer vertentes: religiosa, política, econômica e da higiene – pois, afinal, o que não mata, engorda. (leia mais)

O COMPLEXO DE BARRABÁS

Mesmo com pouquíssimo tempo de ocorrido, já existem inúmeros ensaios geopolíticos e geomórficos sobre o atentado ao jornal Charlie Hebdo. Essa voracidade na internet em querer opinar é, no mínimo, intrigante e diz muito sobre o ser humano: ele tem necessidade de se expressar. E para fazer isso, tem de concordar ou discordar. A era da opinião.

Uma analogia. Outro caso recente que aflorou opiniões divergentes: a casca de banana jogada ao Daniel Alves. O ‪#‎SomosTodosMacacos‬ foi aderido e, dez minutos depois, já existiam inúmeros textos criticando a frase dizendo que ela legitima o preconceito e a comparação animalesca (blá blá blá).

É óbvio! Tudo legitima. A cultura e a contracultura trabalham juntas. Uma depende da outra. O preconceito (pré + conceito) faz parte da nossa cognição. Achar que ele não vai existir é lutar contra a nossa pluralidade humana, que caracteriza gostos, pessoas chatas e pessoas legais, estilos musicais, religiões. Os estereótipos facilitam as nossas decisões e, com isso, a liberdade para escolher o que queremos.

Estereótipo:  “Imagem mental padronizada, tida coletivamente por um grupo, refletindo uma opinião demasiadamente simplificada, atitude afetiva ou juízo sem critérios a respeito de uma situação, acontecimento, pessoa, raça, classe ou grupo social” (Dicionário Michaelis).

Definir algo formado por pensamentos de todas as pessoas torna-se muito complexo. Ainda mais proibi-los de existir. (Diferentemente de discriminação, né?)

Ao mesmo tempo, algumas pessoas (e, infelizmente, são muitas) insistem em escolher seu padrão favorito e ODIAR/REJEITAR tudo aquilo que ela não optou. E, no impulso de querer se expressar, todos se embananam e acabam indo na onda mais forte (ou fraca): SOLTEM BARRABÁS! Daí o negócio fode a bagaça toda, pois a falta de respeito fere a liberdade.

E SE WANESSA CAMARGO ASSASSINASSE RAFINHA BASTOS?

Voltemos ao atentado. Uma tristeza! wanessinhaJornalistas sendo assassinados por conta de charges. Leonardo Boff que me desculpe, mas eu seria #‎EuSouRafinhaBastos caso a Wanessa Camargo tivesse assassinado o humorista. Por mais ofensiva que a piada dele tenha sido!

“Não se pode fazer piada com religião?”

Pode existir no Brasil um fã ~extremista~ que acredita que a Wanessa é uma deusa? Sim.

E ele pode cometer o mesmo ato de violência com o Rafinha? Sim.

gregorio_divinoComo disse o Gregório Duvivier em sua crônica na Folha:

“No mais, tudo é sagrado para alguém no mundo. A maconha, a vaca, a santa de madeira, o Daime, Jesus e Maomé: tudo merece a mesma quantidade de respeito, e de falta de respeito”.

Embora o extremo seja óbvio, não é tão simples assim encontrarmos os extremistas. E pior: não conseguimos pará-los com leis (nem mandamentos!). As pessoas têm o direito de serem idiotas e devem responder por isso. Rafinha está respondendo por isso.

Sejamos menos Xiitas!

charge-criticaLogo após o atentado, começou a caça do contra: BORA PROCURAR PIADAS OFENSIVAS DOS CARAS PRA GENTE PODER FALAR QUE NÃO PODE BRINCAR COM RELIGIÃO, DADO DOLABELLA E WANESSA CAMARGO. A primeira charge que circulou na internet foi uma imagem cortada insinuando que Charlie Hebdo era racista. (Clique aqui para entender a polêmica e tirar suas próprias conclusões sobre o suposto racismo).

Tá ok! Todos podem procurar as pedras no sapato da revista francesa. E eu concordo 100% quando colocam o contexto francês, onde os muçulmanos são muito discriminados e recentemente tem havido muitas sanções religiosas impostas pelo parlamento francês – ridículas e que ferem a liberdade de culto. Sim. Os muçulmanos sofrem demais sim.

No entanto, dizer que “Eu Sou Charlie” não significa que eles podem publicar piadas, palavras e nada mais em meu nome. Ou que eu assino embaixo em tudo aquilo que eles já publicaram na vida. Pelo contrário! A frase significa uma luta contra a violência e a favor do diálogo e do respeito.

Xiita, extremista e literal é quem interpreta isso de outra maneira. Sejamos mais sensatos e pensemos mais em deslegitimar movimentos violentos do que repreendê-los com frases de efeito e menções de “não é bem assim, os caras pegavam pesado”.

A liberdade é uma só. Não tem “mas”. A liberdade e o respeito devem ser pregados mais que as palavras de Maomé, Jesus ou Wanessa Camargo.

E se você ficou ofendido com algo que eu disse: me processe, mas não me mate. É assim que as coisas devem funcionar.

Anúncios
Quem não é “Je Suis Charlie” é Xiita

Um comentário sobre “Quem não é “Je Suis Charlie” é Xiita

  1. minhoca disse:

    O termo xiita ta usado errado, caiu no senso comum dos brasilero, agora aguenta…Al-qaeda e atentados afins são sunitas, leia o Guga Chacra pra entender essas coisas.

Deixe seu mimimi

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s